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El verdugo más sanguinario de la historia medieval: el espeluznante reinado de Frantz Schmidt.

LA TRÁGICA EXPEDICIÓN DE POMPEYO EL GRANDE Y SU SANGRIENTO FINAL EN EGIPTO

O som da lâmina cortando a carne pelas costas é abafado pelo barulho das ondas que quebram contra o casco do pequeno barco de pesca. Não há discursos heroicos, não há legiões marchando em formação perfeita, e muito menos a dignidade que um homem que governou o mundo romano merecia. Ali, nas águas rasas de Pelúsio, na costa do Egito, no ano 48 antes da nossa era, o homem que Roma apelidou de “O Grande” – Pompeu – foi reduzido a uma carcaça ensanguentada aos olhos de sua própria esposa e filho, que assistiam a tudo impotentes do convés do navio principal. Se você acha que a política moderna é cruel, você não faz ideia do nível de frieza pragmática que regia o mundo antigo. Pompeu não foi derrotado apenas por Júlio César nas planícies de Farsália; ele foi destruído pela engrenagem implacável da sobrevivência geopolítica. Eu já vi de perto como alianças antigas evaporam no segundo em que o poder muda de mãos, e posso garantir: no tabuleiro do poder absoluto, a lealdade é a primeira moeda a ser desvalorizada. O jovem rei Ptolomeu XIII e seus conselheiros eunucos não odiavam Pompeu. Eles apenas sabiam ler o cenário. Entre acolher um general derrotado e implorando por asilo ou presentear o homem mais poderoso do mundo – César – com a cabeça do seu maior inimigo, a escolha deles foi puramente matemática. O horror daquele momento não foi um ato de loucura; foi uma estratégia de estado executada com a precisão de um açougueiro.

Pompeu tinha sido o general mais brilhante de sua geração. Ele havia limpado o Mediterrâneo dos piratas em poucos meses, conquistado a Síria, expandido as fronteiras do império até a Judeia e celebrado triunfos que faziam os cidadãos romanos chorarem de orgulho. Mas a ambição de um homem sempre encontra o seu limite quando colide com alguém igualmente implacável. Após a humilhante derrota em Farsália, onde suas tropas numericamente superiores foram despedaçadas pela genialidade tática de Júlio César, Pompeu fugiu. Ele cruzou o mar em busca de um refúgio, e o Egito parecia a escolha lógica. Afinal, o trono egípcio devia sua estabilidade financeira e militar ao apoio que o próprio Pompeu havia dado ao falecido pai do jovem rei.

No entanto, olhando para essa tragédia com a experiência de quem estuda os mecanismos de colapso de lideranças, fica evidente que o erro de Pompeu foi esquecer que a gratidão é um sentimento que não sobrevive à fraqueza. No momento em que ele pisou naquele barco, despido de suas legiões e de seu prestígio, ele deixou de ser um aliado valioso para se tornar um fardo perigoso.

O sol do deserto egípcio batia sem misericórdia sobre as águas turvas do delta do Nilo. No palácio real, o clima era de pura paranoia. O Egito já estava mergulhado em sua própria guerra civil sangrenta entre o jovem Ptolomeu XIII e sua irmã, a lendária Cleópatra. A chegada de Pompeu era o pior cenário possível para os conselheiros do rei, liderados pelo eunuco Potino e pelo general Aquilas. Se eles aceitassem Pompeu, transformariam o Egito no próximo campo de batalha da guerra civil romana, atraindo a fúria de Júlio César e de suas legiões veteranas. Se o recusassem abertamente, Pompeu poderia buscar aliança com Cleópatra ou retornar no futuro para se vingar. A solução encontrada foi de uma covardia cirúrgica: atraí-lo com falsas promessas de hospitalidade e matá-lo antes que ele pudesse tocar o solo egípcio.

Um pequeno barco foi enviado para recolher o general romano. A bordo estavam Aquilas e um renegado romano chamado Lúcio Setímio, um homem que já havia servido sob o comando do próprio Pompeu anos antes. Quando Pompeu viu Setímio, talvez tenha sentido uma faísca de alívio. Ver um rosto familiar, um antigo camarada de armas, era o sinal de segurança que ele tanto precisava naquele momento de desespero. Ele se despediu de sua esposa Cornelia, que chorava no navio, e desceu ao bote acompanhado de apenas alguns servos.

O trajeto até a praia foi feito em um silêncio sepulcral, desconfortável. Pompeu, tentando quebrar o gelo e manter a pouca dignidade que lhe restava, olhou para Setímio e perguntou: “Não conheço você de minhas antigas campanhas?” O soldado romano apenas acenou com a cabeça, friamente, sem dizer uma única palavra. É impossível não sentir um calafrio na espinha ao imaginar a atmosfera dentro daquele barco. O silêncio dos assassinos antes do golpe é o som mais aterrorizante que existe.

No momento em que o barco tocou a areia da praia e Pompeu se levantou para desembarcar, Setímio deu o primeiro passo. Sem aviso, ele puxou o gládio e cravou a lâmina diretamente nas costas do general. Em seguida, Aquilas e os outros soldados egípcios sacaram suas adagas e começaram a esfaquear o corpo do romano repetidamente. Pompeu, demonstrando a disciplina da velha aristocracia republicana, não gritou, não implorou e não lutou. Ele simplesmente puxou a sua toga sobre o rosto com as duas mãos, aceitando o golpe final em silêncio enquanto seu sangue encharcava a madeira do barco.

Na praia, o horror continuou. Os assassinos cortaram a cabeça de Pompeu, o Grande, o homem que havia moldado o mapa do Oriente, e jogaram o seu tronco decapitado na areia, deixando-o para ser lavado pelas ondas e devorado pelos caranguejos. A cabeça foi levada para ser embalsamada, guardada como um troféu macabro para o verdadeiro mestre de Roma que estava prestes a chegar.

Dias depois, Júlio César desembarcou em Alexandria liderando suas tropas. Ptolomeu XIII e seus conselheiros prepararam uma recepção grandiosa. Eles acreditavam genuinamente que tinham prestado um serviço inestimável ao ditador romano. Durante a audiência oficial, o eunuco Potino apresentou a César um embrulho de linho. Ao abrir o tecido, a cabeça decepada e preservada de Pompeu foi revelada, junto com o seu anel de sinete imperial.

Os conselheiros reais esperavam que César celebrasse, que sorrisse ou que os recompensasse com ouro e alianças políticas. Mas a reação de César chocou a corte egípcia. Ele desviou o olhar, horrorizado, e começou a chorar abertamente. Aquele choro não era necessariamente uma encenação teatral. Pompeu, apesar de ter sido seu maior rival e inimigo mortal no campo de batalha, tinha sido seu genro – casado com sua amada filha Júlia – e era um cidadão e cônsul de Roma. Ver um dos maiores heróis da República ser assassinado de forma tão vil por estrangeiros, por homens que os romanos consideravam bárbaros, foi um insulto intolerável à dignidade romana.

A jogada política do Egito acabou sendo o seu maior erro estratégico. Em vez de apaziguar César, o assassinato de Pompeu selou o destino de Ptolomeu XIII. César imediatamente tomou o controle de Alexandria, aliou-se a Cleópatra, destronou o jovem rei e mandou executar Potino e os outros conspiradores que haviam planejado a morte de seu rival. O sangue de Pompeu foi vingado com o sangue daqueles que achavam que podiam usar a morte de um gigante romano como moeda de troca.

Olhando para o desfecho dessa história e pensando no futuro do mundo mediterrâneo, fica claro que a morte de Pompeu marcou o fim definitivo de uma era. Com ele, morreu a última grande esperança de restauração da República Romana tradicional. O poder agora pertencia exclusivamente àqueles que controlavam as legiões pelo medo e pelo dinheiro. O corpo decapitado de Pompeu foi eventualmente recolhido por um de seus libertos fiéis, Filipe, que improvisou uma pira funerária simples na praia usando os restos de madeira de um barco velho. As cinzas do homem que celebrou os maiores triunfos que Roma já viu foram enterradas na areia, sem nome, sem monumentos, sob o som indiferente do mar do Egito.

A história nos mostra que o topo do poder é o lugar mais perigoso do mundo. A queda de Pompeu nos ensina que a glória militar e os títulos honoríficos não passam de ilusões quando as engrenagens da conveniência política começam a girar. Ele passou a vida inteira construindo um império, apenas para ter seu fim decretado pelo julgamento frio de conselheiros que viam o mundo através da lógica crua da sobrevivência. As areias de Pelúsio engoliram o sangue de Pompeu, mas a lição sobre a fragilidade do poder absoluto permanece gravada na história por mais de dois mil anos.